Prolegomenon, de H. Fritzer


(Tradução de Carlos Ambrósio e Lucca Tartaglia)


"Ouça. Você consegue entender agora? Consegue entender como as coisas se movem entre os olhos desaparecidos dessa cidade-aluguel? O deserto a nossa frente. Não o deserto. Veja. Tudo agora parece um emaranhado crespo de volúpia, suor e medo. Aquela canção alucinada e os passos em volta. Os passos em volta. É o fim. E as garotas ainda sobre os rapazes e os carros ainda sobre a serpente e as gargalhadas no bosque. Eu nunca mais olharei para os cães que rezam virgens no amanhecer confuso da virada. Consegue imaginar como será? Dois estranhos caminhando em uma terra desesperada sobre um sol de alaúdes? Olhe para mim. Beba. Sorva o primitivo e as canções todas que percorrem a minha vontade abandonada. Não deixe a roda parar – não deixe os pés suspensos. Como crianças no parque, sejamos imensos. Insanos como crianças em uma brincadeira eterna de morte. Vamos caminhar. Veja a cabeça do rei, como é discrepante com o seu tamanho. Dome a serpente. A serpente ancestral que aturdiu os nossos ancestrais. O oeste é o melhor lugar. Não corra, não ainda. Você consegue entender? Os corredores confusos daquela semente. Os lábios de pedra. O caule da sua potência confeccionando a minha destreza, atrasando a palavra – um pilão que amassa a matéria contra o fundo da boca, transformando qualquer sílaba em soluço, prostrando a substância amorfa – suspendendo a passagem do ar, quando meu crânio guarda o que agora é ventre. E o buço torna-se a flor dentada e serena. E o pendão é língua e a saliva banha o opressor. Engolir. Alimentar. Contra a superfície dura do animal. E os polos se invertem num movimento brusco de expansão. E os poros se divertem vulcânicos. As muralhas desabam e a fenda e as pétalas de carne e humanidade se abrem. É a oração de todos os santos. Palmas unidas em botão e a carne menos hábil da sua língua tentando romper a novena, buscando feroz o âmago da terra – onde Gaia resguarda os filhos da fome de Urano. Sim, vamos com isso. Senta-te ao meu lado, à esquerda de mim. Sento-me. A população dos dedos - pontas sobre hastes invadem a turbamulta de uma valsa lenta e são aristocratas em campos de batalha. Posso contar os pês da sua cadência e o ritmo consternado da minha involução. E erguemos os braços colhendo do pomo alto. Lacremos as janelas e que nada entre por onde os deuses permitiram. Não seremos um conjunto. Encontramos uma grande baga de casca lenhosa e impermeável e ao lado dela um almofariz. E a lágrima densa se tornou quatro rios inteiros e a nogueira devastou sua sede, o cheiro do reino sobre a coroa e a passagem silente do abismo. No fruto daquela árvore de antes, cravamos o destino da polpa inocente e constrangida. Conhecer. Estamos nus e tememos a Deus. Ele chama. O corpo descoberto se recolhe no momento absconso da vestimenta. Ele chama. Deixe que as ondas levem uma parte do Céu e que a espuma sagre em forma de vertigem distante o formato vivo da natureza. Ele chama. Estamos expulsos do paraíso e a lâmina guarda os portões. Ele chama".
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Berlim do avesso



Berlim cada vez mais cheia, o centro da cidade se transforma, os terrenos baldios estão sendo preenchidos com prédios horrorosos, quase todos iguais, não existe espaço para a criatividade em Berlim, o trânsito está cada vez mais denso, e o povo adora fechar cruzamento, desde a copa de 2006 o mundo descobriu que alemão não morde, o número de turistas aumentou consideravelmente, com isso, grupos enormes de bicicletas fazem passeios pelo centro da cidade, atrapalham o trânsito já denso de gente que gosta de fechar cruzamento, os prédios velhos estão sendo reformados, os aluguéis aumentam, os pobres são empurrados para as periferias, "guetização", Berlim tem cada vez mais pobres, gente dormindo nas ruas, gente pedindo dinheiro nas ruas, gente catando garrafa, revirando o lixo, Berlim tem a obra do aeroporto internacional que nunca acaba e está consumindo rios de euros dos cofres públicos, custará seis vezes mais que o esperado e ficará pronto oito anos mais tarde do que o planejado, as carteiras somem das bolsas com mais frequência agora em Berlim, furtos, conflitos nas ruas, agressão contra os policiais estão aumentando em Berlim, no bairro onde eu moro, parece que ouço mais inglês nas ruas do que alemão... Berlim se transforma numa cidade contemporânea conectada no mundo real, a crueldade da moral moderna destruindo o sonho do Estado do bem estar social, Wohlfahrtsstaat, o partido populista de direita, com charme nazista, alcança posições no Parlamento Berlim (Abgeordnetenhaus), Berlim vai voltar a ser metrópole. 

As obras do aeroporto em Berlim, na boa tradição do metrô paulista


Biblioteca Centra da Universidade Humboldt

Moradores de rua na estação de trem Zoologischer garten



fotos

Ana Valéria mora em Berlim e observa a cidade há quase duas décadas, estudou história e trabalha como tradutora. 

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Sarau: Brasil Cosmopolita?





Em meados de julho de 2016 me encontrei com algumas pessoas da equipe e esboçamos um projeto para construção de um Sarau para acontecer dia 7.10. O tema central é humanização. Como professora de Sociologia e Filosofia do Ensino Médio, trabalhei temas como desigualdade racial, social e de gênero, e também a questão dos movimentos migratórios, dando ênfase para as pessoas refugiadas. 

Foto: Reprodução/Internet. Ilustração. O Estado de exceção ...

Em um país tão plural e miscigenado, será que de fato os tratamentos são iguais? A farsa da democracia racial foi desvendada, trabalhamos com temas relacionados também a humilhação que os idosos passam e pudemos debater a respeito das violações dos direitos - o Estado de Exceção.

Convidamos para a parte da manhã a Ana Clara Maças Podres, a secretaria e agentes de saúde para trabalharmos o tema: Sexualidade e questões de gênero. No período noturno, talvez, as pessoas do Sarau da Quebrada conseguirão somar.

Durante o sarau aconteceu a Oficina de Abayomi , ministrada pela educadora e integrante do sarau na quebrada Gláucia Adriani. Fonte: saraunaquebrada.blogspot.com


A maioria dos discentes do período noturno se interessaram em contribuir com alguma coisa. Trouxeram alguns vídeos clipes, poesias e imagens que retratavam nossa discussão. Como por exemplo, este da M.I.A e a música do Jair Rodrigues:




"Ele é migrador 

Um retirante vindo de lá do sertão 
Andou muitas léguas a pé 
Perdeu seu filho, gado, 
Cachorro e a mulher 



Estrada seca encontrou 
E a fé sempre prosperou 
Na esperança ao menos 
De algum caminhão 



Chegou na cidade grande 
Sem emprego e proteção 
Estranhou a diferença 
Que existia no sertão 



Tanta adversidade, nesta terra de patrão 
Tanto orgulho e vaidade para um pobre cidadão 
Simbora ele vai outra vez pro sertão 



Se arreia num carro de boi 
Dispara dentro do sertão 
E a boia vai fria num baião de dois 
Pimenta virada no cão 
Farinha pra mó de estufar 
E a água encontra se Deus mandar... " 


Elaboraram cartazes para exposição sobre os temas debatidos e estão ensaiando coreografias, elaborando vídeos para projeção e músicas para apresentação com violão e voz.




A coordenadora Mariana Viera elaborou um singelo teaser para convidar as pessoas da escola:




Apesar de algumas intempéries e poucos recursos disponíveis para a educação pública, estamos conseguindo fazer com êxito. Espero ter boas novidades a respeito após dia 7.10. 

Grata pela atenção e divulgação da matéria. Até mais! 




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SARAU DE POESIA - WISLAWA SZYMBORSKA

No último dia 17 aconteceu o Sarau de Poesia, homenageando Wislawa Szymborska (1923-2012), como parte da programação de aniversário de 140 anos do Museu Paranaense, em Curitiba. Regina Przybycień – tradutora e grande conhecedora da obra desta autora - fez a abertura do evento, e estudantes e professores de idioma polonês leram os poemas nas duas linguagens. Esse evento foi uma iniciativa da Casa da Cultura Polônia-Brasil, e foi coordenado por Everly Giller.

Os poemas selecionados foram: "Vietnam", "A Pedra", "Primeira foto de Hitler", "Terrorista, ele observa", "Gato num apartamento vazio", "Museu", "Excesso", "Amor à primeira vista" e "Funeral".

Retrato da poeta.

Szymborska foi uma poeta, crítica literária e tradutora polonesa. Viveu em Cracóvia, onde se formou em Filologia Polaca e Sociologia pela Universidade Jaguellonica. A sua extensa obra, traduzida em 36 línguas, foi caracterizada pela Academia de Estocolmo como «uma poesia que, com precisão irônica, permite que o contexto histórico e biológico se manifeste em fragmentos da realidade humana», tendo sido ela definida, como «o Mozart da poesia». Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1996.

Algumas fotos do Sarau de Poesia no Museu Paranaense:















Para conhecer um pouco da poesia de Szymborska:

"As Três Palavras Mais Estranhas"

Quando eu pronuncio a palavra
Futuro
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando eu pronuncio a palavra
Silêncio,
Eu o destruo.
Quando eu pronuncio a palavra
Nada,
Eu faço algo que nenhum não-ser pode reter.




Em setembro, o Museu Paranaense, uma das instituições públicas mais antigas do Paraná, completa 140 anos. Para comemorar a data serão realizadas atividades culturais abertas ao público durante todo o mês. Confira a programação completa abaixo.
O objetivo dessas atividades é estimular os visitantes a experimentarem diferentes sensações que os levem a experiências relacionadas à história e à cultura. Serão palestras, bate-papos, oficinas manuais e lúdicas, visitas guiadas, exposições, dança, música, entre outros. Para participar das palestras, os interessados devem se inscrever e será entregue certificado de participação. Todas as atividades são gratuitas.
Para o secretário de Estado da Cultura, João Luiz Fiani, o Museu Paranaense é um ícone da história do Estado. “É um museu que tem que ser muito valorizado e respeitado porque é um espaço único para a nossa história. A partir desse mês de setembro as atividades da cultura vão estar valorizadas por esta data. O Museu Paranaense foi, é e continuará sendo um orgulho para todos nós”.

Aniversário
No dia 25 de setembro (último domingo do mês), data de aniversário do museu, o público poderá celebrar junto com toda a equipe do museu a partir das 10h. Diversas atrações estão programadas, como um workshop de Tai Chi Chuan, oficina de origami, performance, visitas guiadas às exposições, apresentações de bandas curitibanas, como a EletroMUV, Felling Open, Mumbai Express e a Banda da Divisão Feminina de Jovens da BSGI, Nova Era Kotekitai.
Este é o momento para celebrar junto aos parceiros e público do Museu Paranaense seu 140º aniversário. Cooperações que foram fundamentais para construção deste rico patrimônio. A comemoração da data tem a colaboração de várias instituições e pessoas, que contribuem juntas para a conservação desta história”, comenta o diretor do Museu Paranaense, Renato Carneiro.

Histórico
Fundado no dia 25 de setembro de 1876 por Agostinho Ermelino de Leão e José Cândido Murici, a instituição guarda um acervo riquíssimo em artefatos históricos, antropológicos e arqueológicos, que juntos contam a memória do Estado.

Programação
6 a 30/09 | Intervenção em crochê do Coletivo Mãos Urbanas.
06/09 | 14h | Roda de chimarrão – Um dedo de prosa com João Nogueira sobre questões geográficas e históricas da erva-mate.
11/09 | 11h | Apresentação de taiko do grupo Ryukyu Koku Matsuri Daiko – Filial Curitiba
13/09 | 16h | Visita guiada à exposição “Vestígios: registros do andar e da memória da cidade” e bate-papo com a artista Bianca Isis.
14/09 | 14h | Palestra “Museu Paranaense e a arqueologia no Brasil”, com a historiadora Claudia Parellada.
15/09| 17h | Bate-papo com o artista e ilustrador Daniel Conrade, autor do livro A arte Guarani-Mbya de Guaraqueçaba, aldeia Kuaray Guata Porã.
16/09 | 10h30 | Oficina de danças circulares com Domingos Valeski Junior.
14h | Oficina “Criança pequena no museu: o mediador brincante”, com Ariane Azambuja.
17/09 | 11h | Sarau de poesias de Wislawa Szymborska com alunos e professores da Casa da Cultura Polônia-Brasil e com a presença da tradutora Regina Przybycień.
20/09 | 14h às 15h | Palestra “A importância do Museu Paranaense e o seu entorno com a memória”, com Claudio Ogliari.
15h30 às 16h30 | Palestra “Roupas e biografias: o acervo de indumentária do Museu Paranaense”, com Caroline Muller.
21/09| 14h às 15h | Palestra “Etiqueta: Regras do e no Museu”, com Martha Becker.
15h30 às 16h30 | Palestra “Acervo do MP: um estudo sobre as indústrias paranaenses”, com Janaik Baum.
22/09 | 14h às 15h | Palestra “A modernização agrícola: ações do governo Bento Munhoz da Rocha (1951-1955)”, com Renê Wagner Ramos.
15h30 às 16h30 | Palestra “Museu Paranaense: caminhos, contextos e ações museológicas (1876-1976)”, com Ricardo Carvalho Rodrigues.
23/09 | 17h | Abertura da exposição “O Museu da História do Paraná: os 140 anos do Museu Paranaense”.
17h30 | Lançamento do livro Vladimir Kozák: sentimentos de um lobo solitário, da pesquisadora Rosalice Carriel Benetti.
24/09 | 11h | Abertura da exposição “Memória das ruas: retratos dos personagens de Curitiba”.
Local: Museu Oscar Niemeyer
25/09 | Aniversário de 140 anos do Museu Paranaense
Workshop de Tai Chi Chuan com Rodrigo Wolff Apolloni, oficina de origami com os voluntários da ONG Dobrando Alegrias, performance da designer Jeniffer Padilha do Coletivo Mãos Urbanas, apresentações musicais com Eletro MUV, Mumbai Express, Felling Open e Nova Era Kotekitai.
27/09 | 10h | Visita guiada ao Museu Paranaense “Curiosidades e os Tesouros do MP”, com Ricardo Carvalho Rodrigues.
28/09 | 11h | Bate-papo com a pesquisadora Rosalice Carriel Benetti sobre o livro Vladimir Kozák: sentimentos de um lobo solitário.
14h | Visita guiada ao circuito expositivo do Museu Paranaense com enfoque na Guerra do Contestado, com Flávia Rhafaela Pereira.
29/09 | 14h | Visita guiada ao Museu Paranaense “Curiosidades e os Tesouros do MP”, com Ricardo Carvalho Rodrigues.


Serviço:
Comemoração dos 140 anos do Museu Paranaense
De 6 a 30 de setembro de 2016
Programação especial
Entrada gratuita

Casa da Cultura Polônia Brasil
55 41 3088 0708


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O lenço azul






Como é o instante em que se perde um grande amor? Para responder a essa pergunta, trago um texto de uma mulher que relembra esse momento...





Dezembro. Sol lilás perdido na espiral do tempo. Brisas fugidias a soprar sussurros de mágoas nas sombras rendadas das centenárias árvores. Praça Ozório. Lusco-fusco de personas, children e o ônibus amarelo.


Uma jovem. Vinte e dois anos. Olhos negros profundos e inertes, fixos em seu algoz. Sim, escolhemos nosso algoz. Seu corpo trêmulo, desconexo, suspenso pela surpresa da ingratidão e da traição. Sonhos desfeitos. Quimeras. Pássaros cantando o desamor daquele trágico momento. Seus olhos ardiam, sarça denunciando as labaredas da alma.



Então o gesto de adeus e o lenço azul. Nem era sua cor preferida. Copiosas lágrimas pela face emudecida pela dor. Foram as últimas choradas, em sua existência.  E a dor de amor, que não tem cura. É para sempre. O lenço azul, oferecido como último ato de misericórdia,  para suavizar as lágrimas insanas.



Hoje seus olhos esmaecidos buscam no crepúsculo um repouso.
E o lenço azul, banhado pelas lágrimas atemporais do adeus e do desamor  descansa, como em relicário patinado pelo tempo, em uma caixa com flores de lavanda secas e esmaecidas, emoldurado pela finitude da vida não vida.







Margot Stern é enfermeira e professora. Ainda acredita no amor e ainda guarda aquele lenço azul...



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Guerra contra a estrela


Muitas coisas chamaram a atenção na coletiva de imprensa de Darth Dallagnol e seus stormtroopers. Uma delas foi a apresentação no PowerPoint, que lembrou aquelas palestras motivacionais inspiradas nas lições dadas a Luke Skywalker pelo mestre Yoda. Difícil acreditar que alguém aumente os níveis de midichlorians ou maneje um sabre de luz com mais tesão ao ouvir “Comandante máximo de sua vida, você é”, “De suas convicções, seu sucesso depende” e por aí vai.

Também causou perplexidade, pelo menos aos simpatizantes da Resistência, a acusação de que o ex-presidente Lula seria o Supremo Líder Snoke, chefe maior da organização criminosa conhecida como Primeira Ordem. A “prova” oferecida pelo Ministério Público Galático para ratificar a denúncia foi a reforma (em tese, feita com dinheiro de propina) de uma cabana triplex na distante lua de Endor, famosa por ser o lar dos ewoks. Detalhe: não há qualquer documento que ateste a ligação do acusado com a referida propriedade.

Ademais, como levar a sério uma narrativa segundo a qual o cabeça de um grupo tão poderoso, mesmo depois de anos saqueando o universo, só tenha auferido uma quitinete num planetinha mequetrefe? Ou ele é um cabeça-oca – ou as viúvas do Império são.

Deixando por ora as metáforas deste humilde padawan das letras, o que mais me incomodou no episódio, porém, foi uma intrigante lacuna: se, de um lado, rotulou-se Lula como o “comandante máximo” da corrupção que reuniu o “consórcio” PT-PMDB-PP – com a justificativa de que, como número-um do governo por oito anos e nome mais importante do Partido dos Trabalhadores, “ele não tinha como não saber” –, de outro, não se fez qualquer menção aos presidentes das duas legendas restantes.

Ué, por onde andava o mundialmente afamado Mr. Fora Temer, presidente do PMDB há mais de uma década? Estaria ele tão dedicado assim aos concursos de miss que não percebeu o quanto seu partido desfilava na passarela da roubalheira? E o atual governador do Rio de Janeiro, Francisco “Calamidade Pública” Dornelles, que entre 2007 e 2013 foi o dirigente-mor do PP e ainda hoje é seu presidente de honra? Em que sarcófago hibernava que não viu seus correligionários evacuando fora da pirâmide?

Para o bem da Lava-Jato e, consequentemente, do país, ou o raciocínio que incrimina Lula – o célebre “domínio do fato” – vale para todos ou não vale para ninguém. Caso contrário, a operação corre o risco de acabar na UTI da História como mais uma vítima da síndrome da seletividade, e de servir tão somente como fonte infinita de memes.

O retorno do jedi: eu adoraria ter convicção de que a Força(-tarefa) está conosco, de que seu despertar está enfim passando o Brasil a limpo; mas a parcialidade das investigações, a fragilidade dos argumentos e a espetacularização das denúncias me parecem provas tão cabais de que testemunhamos apenas uma vingança dos sith contra seus inimigos, que prefiro declinar da ideia de que tal saga “contra a corrupção” represente, de verdade, uma nova esperança para a República.







Fábio Flora é autor de Segundas estórias: uma leitura sobre Joãozito Guimarães Rosa (Quartet, 2008), escreve no Pasmatório, tem perfil no Twitter e no Facebook.

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